sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Amor



Amor não se escolhe,
Se é escolhido;
Amor não se governa,
Se é rendido;
Amor não se contém,
Se absorve;
Não se descarta,
Se prende;
Se vive essa paixão;
Que te inflama o peito,
Preenche o coração;
Amar eu posso,
Esquecer enquanto for paixão, não.
É dor, é febre, alegria;
É tentação, loucura;
É ser vulcão, em total erupção;
É viver um minuto,
Em estado de contemplação;
Pura união...

Betânia Uchôa

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Descendo a Avenida








Foi no Carnaval,
muita alegria, risos soltos
contagiando,
puxados pela multidão,
pulando e dançando
descendo a avenida...

Uma música atrás de outra
amigos juntos
outros perdidos atrás do trio
mas sempre encontramos
quando viramos a esquina...

é o Carnaval,
sustentando a alegria,
bagunçando, reverenciando
causando nostalgia...

E na quarta de cinzas
amanhecer cansado,
olhar nostálgico,
sonhando com o próximo
Carnaval...
Onde se possa acontecer,
o encontro dos amigos
descendo a avenida.

Betânia Uchôa

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Instante fugaz








A estrela que vejo,

Foi pega num repente

Do meu olhar a se fechar

E quando ele se abre,

Ela já se foi,

Foi um instante.

Assim como teu rosto,

Que noto um brilho

Inconstante, lindo!

Parece que vai acabar

Num instante, e

Dos teus olhos,

Fica o que vislumbrou,

E escondeu na penumbra.

Do teu olhar perdido.

Quem sabe nossa paixão,

Partindo-se em mil pedaços

ou mesmo um pequeno instante,

Esse instante fugaz.

Nada mais a brilhar,

Apenas isso,

E nada mais faz sentido,

Além disso,

Nada mais.

Betânia Uchôa

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Não te quero!






Não te quero!

Não quero algo além do desejado,
Não quero nada do que me deste,
Nem o amor que me impuseste
Nada que eu não tenha almejado.

Não quero um amor comercializado!
Não te quero! como se fosse algoz
Não te quero! com esse título atroz
Vou esperar um amor meu, idealizado!

Vou sair desta agonia, bravamente,
Nem quero que a saudade me ronde,
Por me fazer lembrar do amor, por ti,

E quando chegar o dia! e tão-somente
Que eu passeie por sua mente,
Uma lembrança viva, do que perdi!

Betânia Uchôa

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Além da janela

E, novamente a porta se fecha,
Outra vez, meus sonhos só pela janela,
E tudo o que se passou em frente a ela
Passou voando naquela pressa...

Eu deixei o tempo ficar incerto...
E todos os sonhos de uma vida bela,
Que sempre me escapam, mesmo perto,
Ante o meu olhar de Libélula.

E o que eu falo, também me cala,
A paisagem vista é o que me conforta
Esperando, e o meu sentimento resvala.

Eu sinto o mundo girar...pela paisagem bela,
Sonhando ser borboleta, além da porta,
Voando para além da janela.

Betânia Uchôa

Visita


Então eu vim,

Me espalhei em seu sofá
abrir suas janelas, deixando a cor entrar,
vi tuas fotografias
suas caras e bocas,
anos e anos de histórias...

Abri seus armários,
Fiz algo gostoso de comer,
vasculhei tuas músicas de A a Z...
Escolhi aquela que lembra o ontem...

Me vi abrigada,
pela sua presença na ausência
e de tanto de esperar
que te achei no sonho
e enfim acordei.

Betânia Uchôa

domingo, 18 de janeiro de 2009

Reverências


Dueto--Betânia Uchôa & Dolandmay

Emboscada pelas tuas palavras
Que chegam feito poema.
Na cadência do som da voz
petrificada, já ouço na memoria.
Agora não há mais fuga.
Já vejo a pequena cena.
O relógio já grita comigo
Despertando-me...
É quando...
Com amor no coração,
curvo-me a Ti.

(Betânia Uchôa)


Levanta-te, meu Amor!
esta honra és minha
Sou apenas um açafrão,
mas tú, uma flor!...
entre todas as plantas espinhosas
que invadiste meu coração.
Com sua divina magia...
prendeu-me ao teu encanto
Nesta hora...
com Amor e alegria,
reverêncio-me a Ti.

(Dolandmay)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Para além mar


Quem foi o meu algoz,
Que me prendeu e fugiu?
Que numa corrida veloz
O amor belo descobriu?

Cravando no peito um lamento,
Uma música triste a cantar
Vendo, seu barco ir longe ao vento
Deixando-me triste a chorar...

Pensei, que seria a saudade uma amiga
Mas ela só me trouxe essa dor...
Foi um caminho só de ida
E foi para longe meu amor.

Betânia Uchôa

sábado, 10 de janeiro de 2009

Natureza em festa



Borboletas dançam no ar
com roupas, que na vida emprestam
Encantam a vida, se pôem a saltar.
Muitos sons se misturam no ar
Todos brincam e procuram
Da vida algo a ofertar.
Sonhos que se encontram.
Histórias a finalizar.

Betânia Uchôa

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

A despedida do velho


A despedida do velho

O velho passeia, olhos tristes
corpo curvado, cansado
olha ao redor,
numa despedida silenciosa
mas sabe que muitos vão sua
morte festejar de forma ruidosa.
O velho conta seu tempo
sabe agora pequeno,
vida evaporando...
O velho sente
Sente a partida,
Ontem era presente, o novo
hoje um velho, acabando...
morrendo, virando cinzas.
Amanhã será o passado,
que se despediu ,
ficando nas lembranças
doces dos que amam...
Nas saudades, nos desencontros
Uma página virada, sem volta...
Precisa morrer,
...Olhos fechando
O novo nascendo...
Outros sonhos,
Outros planos,
Outras vidas,
Novas alegrias,
Nascendo...

Enquanto o velho...
morria....

Betânia Uchôa