quarta-feira, 23 de março de 2011

Um vez, um amor



Uma vez, um amor


Uma vez eu tive um amor, um sonho,
Nasceu numa tarde em pleno outono.
Ficava encantada com seu ar risonho,
E do meu coração, você se fez o dono.


Um amor brando, doce, assim exponho.
Vivia a cantar e a sorrir até no sono,
Quando partia, doía, ficava tristonho
De pensar que podia ficar no abandono.


Esse amor sentido, que era luz, era dor;
Quem podia viver assim, entre mundos,
Do real sentido, desse amor fingidor.


Mas sempre estava ali, esse amor;
Sem fazer sentido, sentido profundo,
E morreu assim, sem um salvador.


Betânia Uchôa


quinta-feira, 10 de março de 2011

Existência



Existência

A existência é maior do que a encaro
Maior do que o que existe na mente
Diante de algo tão maior eu paro
Fico alheia ao que se passa no presente.

Fomos feitos com o sentimento raro
Não uma criação de forma displicente,
Mas com tudo isso, não ligamos, é claro
E saímos a gastar a vida, perdidamente.

Não pensamos em nada. Só o desejo
De viver tudo, certo ou errado, enquanto
A realidade é deslocada ao longe, apenas.

Falta ver a grandeza... essa visão que vejo
Falta liberar o sentimento de puro encanto
Ao criador, louvor, nas adorações serenas.


Betânia Uchôa


quarta-feira, 2 de março de 2011

Faz de conta



Faz de conta

*
Faça de conta que sou agora madura
E pelo tempo, passei por muitas vidas
Vivi de uma forma dolorida e dura
Eu compreendo tantas idas e vindas.
*
Faça de conta que sou apenas garota
Vivendo à espera de me tornar adulta
sonhando realizar alguma descoberta
Que pareça aos olhos do mundo culta.
*
Faça de conta que sou uma mulher
Correndo atrás de um sonho louco
Vivendo cada dia como bem o quer,
*
Mas não pense que sou agora velhinha
contando estórias de como eu vivia
Uma mulher de sonhos, e sonhos tinha.

Betânia Uchôa


quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Feita de sorrisos


Feita de sorrisos


Hoje vesti-me de sorrisos
nas vestes, e até ao calcanhar
sapato feliz em sua cor
que faz do chão levitar


Hoje vesti-me de sorrisos 
nos cabelos, e até no andar 
olhos sorrisos cheios de amor 
luvas de sonhos a acariciar 


Hoje vesti-me de sorrisos 
até nos braços a levar 
Bouquet de fruta cor 
fazendo amigos se achegar 


Hoje vesti-me de sorrisos 
pequenos e grandes ao dar 
alegria e carinho ao sabor 
do mais leve acordar. 


Betânia Uchôa



segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Escalada para o amor


Escalada para o amor

O amor pode ser maior e existe
em meu ser, um sentimento raro
e na sua falta, meu sorriso é triste
esperando um abraço, me declaro.


Ante ao conforto meu ser não resiste
sinto o calor, sensação quente e paro
fortalece sua imagem e em mim persiste
É vida, é amor, me sinto no amparo.


Não olho o ontem, ou se ele me fere
mas o seu amor, o meu ser prefere
mesmo que amanhã, ande só.


Vivo o presente a cada instante
como uma escalada, eletrizante
o sentimento é este, puro e sem nó.

Betânia Uchôa


terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

ERGO O MEU OLHAR




ERGO O MEU OLHAR


Ergo o olhar, é vida que se ilumina
Só a luz depois da escuridão pode
Devolver o brilho, deixando a casa
Livre da tristeza que a mim sacode.

Ergo o olhar, e canto como as aves
Que voam pelo céu, a cada canto,
Num bater de asas que não se duvide
E leva a dor, dando adeus ao pranto.

Ergo o olhar, um sorriso largo, fino
Depende da intenção que se atreve,
Roubando a paz, e não meu sangue
Que corre solto nesta corrida breve.

Ergo o olhar, me entrego, és o dono
Dos meus carinhos e do meu ombro.
Ergo o olhar, eu vejo a vida, vida!
E ela me chega, agora sem assombros.


Betânia Uchôa

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Cartão Postal


Cartão Postal


Meu corpo se transformou
Em um grande caldeirão,
Onde transbordou todos
Os sentimentos e emoções. 


Todos os meus medos, anseios,
Meus risos, toda minha saudade e
Desejos, como mágica, escapolem
Pegando carona com este cartão,
Para chegar até você.


Betânia Uchôa


terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Prisioneiro


Prisioneiro

Falta-me o ar para respirar,
o amigo em sua solidariedade,
o bem maior, a oração, o amar
tudo que gira na velocidade.


Falta-me o querer ainda cativo,
o meu ser e minha razão,
o alimento, o poder e sobrevivo,
ainda pelo sabor da oração.


Falta-me ser forte, não vigiado,
a alegria de não ser subjugado,
ver o mundo belo, privilegiado,
deixar de ser alguém enclausurado.


Falta-me ser ainda salvo, é natural
do amor, e pelo amor ser livre, partir
ver o mundo de forma bem real,
ter vários caminhos para onde ir.


Falta-me da vida viver e prosseguir,
agora o tempo não mais importa,
ser cativo é não ter onde ir
sorte é ter algo que realmente importa.

Betânia Uchôa

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

O Banho da rosa



O Banho da rosa

Chuva cai fininha lá fora
Banhando a rosa carmim
Ouço o barulho dela agora
Festa e risos sem fim.

Chuva cai dentro da noite fria
A rosa agora toda banhada
Tudo para começar o longo dia
com a linda face lavada.

A manhã te trás orvalhada
pela noite feliz
Te deixou toda molhada
rosa linda, o que me diz?

Tua beleza agora é só encanto
A todos que passam aqui
Até o vento, vem ver seu canto
Na leve brisa que noto ali.

Betânia Uchôa

sábado, 15 de janeiro de 2011

Volta! coração


Volta! coração
.
Coração vaga sozinho, sem alento!
De dia alheio, mas a noite, flutua!
Em busca de vida, rumo ao firmamento,
Segue flutuando, dando voltas na Lua!
.
Segue, nesta louca viagem, nevoeiro,
Que te cega, sem destino, e desmonta...
Esse quebra-cabeça, te marcou inteiro
de amor, uma paixão, de ponta a ponta.
.
Cavaleiro andante, a procura, um louco!
Nos desvarios de amor, longe de mim,
nesta vida tão curta, pois amar é pouco,
se demora, chega antes de nosso fim.
.
Deixo meu ser leve, como pluma,
sem medo, sem vazio, brilho de cristais,
vai, te ensino o caminho, uma flor perfuma,
volta, rápido, veloz, ou não chegues mais!

Betânia Uchôa