quarta-feira, 15 de junho de 2011

Calada

Calada

O silêncio
me olha,
me pedindo
clemência,
mas ele não
sabe, que calada
é quando eu
sonho mais.
Betânia Uchôa

terça-feira, 7 de junho de 2011

Amor impossível


Amor impossível

Em tua carta, as linhas contém o peso
das lágrimas sentidas, e se assim mereço,
trazem à tona, uma lembrança esquecida,
são teus traços, avivando a foto perdida.

O tempo parou, reviveu dentro de mim
tantas emoções, que parecem não ter fim
e nestas poucas linhas que escreveste,
nunca um adeus foi tão sentido como este.

Este dia, um dia escuro, sem ver a luz!
Ainda assim, caída, senti o peso da cruz
e se houvesse luz, não mudaria o cenário.

Eu chorava, tudo por este amor contrário!
Esta carta, não muda o meu destino
Não buscarei o mesmo amor clandestino.


Betânia Uchôa



sábado, 28 de maio de 2011

Mares da Mente


Mares da mente



De cima vemos o oceano, veja!
É um mar de glória, em plena paz.
Em nosso íntimo, que assim seja!
Sem águas turbulentas vistas de trás.

Onde vou? Em ondas que o vento leva!
Corra atrás de mim se for capaz!
Na liberdade que o vento nos eleva,
Se morro feliz, mostro na placa, aqui jaz.

Bela viagem, no meu barquinho a vela!
Adeus! não me prenderei a ela!
Sigo em frente, livre! sem adeus!

Nas ondas da minha imaginação ligeiro,
Me sinto no próprio papel de marinheiro,
E grito, Feliz Agradecendo a Deus!



Betânia Uchôa

sábado, 14 de maio de 2011

A seca


A seca

Quando olho para minha vida,
O ontem, o agora e só então,
lágrimas corridas, entristecida
com o tempo, tive outra visão.

Houve tantos nãos, motivo,
para tantas queixas, e sem razão
da falta do pão, água, e apenas vivo,
na esperança que elas melhorarão.

Passo o dia e noite de minha vida,
tentando fugas desse mundo atroz.
Paro, vendo quanto estou perdida,
Sem sonhos, a vida zomba de nós.

E por está assim, meus sonhos estão
nascendo numa terra seca e lisa
Faltam até as lágrimas, um riachão,
Mas sem sonhos nada se realiza.


Betânia Uchôa


sexta-feira, 22 de abril de 2011

Divisão de bens



Divisão de bens


Quero dividir contigo, este amor,

crescido no tamanho e na largura,
com as experiências que a vida
nos deu, e presenteou com este
calor, que só o amor conhece.

Quero dividir contigo, esta paixão,
quente, contagiante, pela vida, por
tantos momentos passados juntos
e separados, eternos dentro de nós,
que só o meu corpo e o teu conhece.

Quero dividir contigo, essa vida,
cheias de momentos teus e meus,
dos nossos dias vividos um a um
sem lembrar das partidas que o
meu coração e o teu conhece.

Quero dividir contigo, esse segundo
em que firmei o olhar no seu rosto
ainda límpido, do nosso acordar
e que outro momento, nenhum
igual a este, eu ou tu, o conhece.

Betânia Uchôa




quinta-feira, 14 de abril de 2011

Eu sei...



Eu sei...



Não sei. Antes eu via tantas cores,
Os campos cheios de luz e glória...
O belo era palco para qualquer história,
Da janela via-se um jardim de flores,


Tudo está mudado, como nunca esteve,
E dentro de mim não há a beleza de antes.
Não noto a beleza do que via a instantes,
O belo passou rápido como brisa leve.


É um momento, eu sei, vem algo que não li.
E em minha mente algo bom ainda há de fluir.
Sensações que tinha antes e ainda vou sentir,
Algo mais belo que qualquer coisa que já vi.


É só um momento, eu sei, como se fosse um transe,
Onde fogem de mim qualquer nova idéia,
Qualquer coisa que seja bela ou feia,
Um sonho que se transforme em romance.

23/03/2010



Betânia Uchôa

quinta-feira, 31 de março de 2011

Na memória



Na memória


Mais que loucura, que emoção!
sinto-me embriagada, sem ter bebido,
quando em minha reclusão, as suas mãos
acalentam meu corpo ainda vestido.

E me embala para a noite, é um teste,
para que tente, sem ter bebido,
zonza, cambaleante, desse a este
como mais um sonho sem sentido;
a memória como tu assim quiseste,
volta e dá ao meu ser um perdido.

E vago na lembrança do que via,
pensando em toda a rebeldia,
Eu reconheço minha ousadia,
e pelo nosso amor, viver melhores dias.

Me pergunto como posso ter vivido
todas essas loucuras, estando sóbria
sem ter bebido ou se faz algum sentido.

Betânia Uchôa


quarta-feira, 23 de março de 2011

Um vez, um amor



Uma vez, um amor


Uma vez eu tive um amor, um sonho,
Nasceu numa tarde em pleno outono.
Ficava encantada com seu ar risonho,
E do meu coração, você se fez o dono.


Um amor brando, doce, assim exponho.
Vivia a cantar e a sorrir até no sono,
Quando partia, doía, ficava tristonho
De pensar que podia ficar no abandono.


Esse amor sentido, que era luz, era dor;
Quem podia viver assim, entre mundos,
Do real sentido, desse amor fingidor.


Mas sempre estava ali, esse amor;
Sem fazer sentido, sentido profundo,
E morreu assim, sem um salvador.


Betânia Uchôa


quinta-feira, 10 de março de 2011

Existência



Existência

A existência é maior do que a encaro
Maior do que o que existe na mente
Diante de algo tão maior eu paro
Fico alheia ao que se passa no presente.

Fomos feitos com o sentimento raro
Não uma criação de forma displicente,
Mas com tudo isso, não ligamos, é claro
E saímos a gastar a vida, perdidamente.

Não pensamos em nada. Só o desejo
De viver tudo, certo ou errado, enquanto
A realidade é deslocada ao longe, apenas.

Falta ver a grandeza... essa visão que vejo
Falta liberar o sentimento de puro encanto
Ao criador, louvor, nas adorações serenas.


Betânia Uchôa


quarta-feira, 2 de março de 2011

Faz de conta



Faz de conta

*
Faça de conta que sou agora madura
E pelo tempo, passei por muitas vidas
Vivi de uma forma dolorida e dura
Eu compreendo tantas idas e vindas.
*
Faça de conta que sou apenas garota
Vivendo à espera de me tornar adulta
sonhando realizar alguma descoberta
Que pareça aos olhos do mundo culta.
*
Faça de conta que sou uma mulher
Correndo atrás de um sonho louco
Vivendo cada dia como bem o quer,
*
Mas não pense que sou agora velhinha
contando estórias de como eu vivia
Uma mulher de sonhos, e sonhos tinha.

Betânia Uchôa