sexta-feira, 22 de abril de 2011

Divisão de bens



Divisão de bens


Quero dividir contigo, este amor,

crescido no tamanho e na largura,
com as experiências que a vida
nos deu, e presenteou com este
calor, que só o amor conhece.

Quero dividir contigo, esta paixão,
quente, contagiante, pela vida, por
tantos momentos passados juntos
e separados, eternos dentro de nós,
que só o meu corpo e o teu conhece.

Quero dividir contigo, essa vida,
cheias de momentos teus e meus,
dos nossos dias vividos um a um
sem lembrar das partidas que o
meu coração e o teu conhece.

Quero dividir contigo, esse segundo
em que firmei o olhar no seu rosto
ainda límpido, do nosso acordar
e que outro momento, nenhum
igual a este, eu ou tu, o conhece.

Betânia Uchôa




quinta-feira, 14 de abril de 2011

Eu sei...



Eu sei...



Não sei. Antes eu via tantas cores,
Os campos cheios de luz e glória...
O belo era palco para qualquer história,
Da janela via-se um jardim de flores,


Tudo está mudado, como nunca esteve,
E dentro de mim não há a beleza de antes.
Não noto a beleza do que via a instantes,
O belo passou rápido como brisa leve.


É um momento, eu sei, vem algo que não li.
E em minha mente algo bom ainda há de fluir.
Sensações que tinha antes e ainda vou sentir,
Algo mais belo que qualquer coisa que já vi.


É só um momento, eu sei, como se fosse um transe,
Onde fogem de mim qualquer nova idéia,
Qualquer coisa que seja bela ou feia,
Um sonho que se transforme em romance.

23/03/2010



Betânia Uchôa

quinta-feira, 31 de março de 2011

Na memória



Na memória


Mais que loucura, que emoção!
sinto-me embriagada, sem ter bebido,
quando em minha reclusão, as suas mãos
acalentam meu corpo ainda vestido.

E me embala para a noite, é um teste,
para que tente, sem ter bebido,
zonza, cambaleante, desse a este
como mais um sonho sem sentido;
a memória como tu assim quiseste,
volta e dá ao meu ser um perdido.

E vago na lembrança do que via,
pensando em toda a rebeldia,
Eu reconheço minha ousadia,
e pelo nosso amor, viver melhores dias.

Me pergunto como posso ter vivido
todas essas loucuras, estando sóbria
sem ter bebido ou se faz algum sentido.

Betânia Uchôa


quarta-feira, 23 de março de 2011

Um vez, um amor



Uma vez, um amor


Uma vez eu tive um amor, um sonho,
Nasceu numa tarde em pleno outono.
Ficava encantada com seu ar risonho,
E do meu coração, você se fez o dono.


Um amor brando, doce, assim exponho.
Vivia a cantar e a sorrir até no sono,
Quando partia, doía, ficava tristonho
De pensar que podia ficar no abandono.


Esse amor sentido, que era luz, era dor;
Quem podia viver assim, entre mundos,
Do real sentido, desse amor fingidor.


Mas sempre estava ali, esse amor;
Sem fazer sentido, sentido profundo,
E morreu assim, sem um salvador.


Betânia Uchôa


quinta-feira, 10 de março de 2011

Existência



Existência

A existência é maior do que a encaro
Maior do que o que existe na mente
Diante de algo tão maior eu paro
Fico alheia ao que se passa no presente.

Fomos feitos com o sentimento raro
Não uma criação de forma displicente,
Mas com tudo isso, não ligamos, é claro
E saímos a gastar a vida, perdidamente.

Não pensamos em nada. Só o desejo
De viver tudo, certo ou errado, enquanto
A realidade é deslocada ao longe, apenas.

Falta ver a grandeza... essa visão que vejo
Falta liberar o sentimento de puro encanto
Ao criador, louvor, nas adorações serenas.


Betânia Uchôa


quarta-feira, 2 de março de 2011

Faz de conta



Faz de conta

*
Faça de conta que sou agora madura
E pelo tempo, passei por muitas vidas
Vivi de uma forma dolorida e dura
Eu compreendo tantas idas e vindas.
*
Faça de conta que sou apenas garota
Vivendo à espera de me tornar adulta
sonhando realizar alguma descoberta
Que pareça aos olhos do mundo culta.
*
Faça de conta que sou uma mulher
Correndo atrás de um sonho louco
Vivendo cada dia como bem o quer,
*
Mas não pense que sou agora velhinha
contando estórias de como eu vivia
Uma mulher de sonhos, e sonhos tinha.

Betânia Uchôa


quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Feita de sorrisos


Feita de sorrisos


Hoje vesti-me de sorrisos
nas vestes, e até ao calcanhar
sapato feliz em sua cor
que faz do chão levitar


Hoje vesti-me de sorrisos 
nos cabelos, e até no andar 
olhos sorrisos cheios de amor 
luvas de sonhos a acariciar 


Hoje vesti-me de sorrisos 
até nos braços a levar 
Bouquet de fruta cor 
fazendo amigos se achegar 


Hoje vesti-me de sorrisos 
pequenos e grandes ao dar 
alegria e carinho ao sabor 
do mais leve acordar. 


Betânia Uchôa



segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Escalada para o amor


Escalada para o amor

O amor pode ser maior e existe
em meu ser, um sentimento raro
e na sua falta, meu sorriso é triste
esperando um abraço, me declaro.


Ante ao conforto meu ser não resiste
sinto o calor, sensação quente e paro
fortalece sua imagem e em mim persiste
É vida, é amor, me sinto no amparo.


Não olho o ontem, ou se ele me fere
mas o seu amor, o meu ser prefere
mesmo que amanhã, ande só.


Vivo o presente a cada instante
como uma escalada, eletrizante
o sentimento é este, puro e sem nó.

Betânia Uchôa


terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

ERGO O MEU OLHAR




ERGO O MEU OLHAR


Ergo o olhar, é vida que se ilumina
Só a luz depois da escuridão pode
Devolver o brilho, deixando a casa
Livre da tristeza que a mim sacode.

Ergo o olhar, e canto como as aves
Que voam pelo céu, a cada canto,
Num bater de asas que não se duvide
E leva a dor, dando adeus ao pranto.

Ergo o olhar, um sorriso largo, fino
Depende da intenção que se atreve,
Roubando a paz, e não meu sangue
Que corre solto nesta corrida breve.

Ergo o olhar, me entrego, és o dono
Dos meus carinhos e do meu ombro.
Ergo o olhar, eu vejo a vida, vida!
E ela me chega, agora sem assombros.


Betânia Uchôa

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Cartão Postal


Cartão Postal


Meu corpo se transformou
Em um grande caldeirão,
Onde transbordou todos
Os sentimentos e emoções. 


Todos os meus medos, anseios,
Meus risos, toda minha saudade e
Desejos, como mágica, escapolem
Pegando carona com este cartão,
Para chegar até você.


Betânia Uchôa